domingo, 7 de maio de 2017

Em Montemor-o-Velho

Três fotos: - uma rua da minha terra numa manhã de sol. Mais concretamente no dia de hoje.


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Identidade em comum

Hoje passei a manhã a ouvir intimamente um fado de Coimbra. É aquela situação em que a gente não faz nada para isso mas a melodia está de tal forma instalada em nós, que quando reparamos até já a estamos a entoar.
Decidi então colocar aqui os versos que eram cantados nesse fado antigo e, procurei saber o nome do autor dos mesmos mas não consegui.  Assim só posso afirmar que não são da minha autoria.

Fases da Lua

O amor é como a Lua
Como ela tem quatro fases
O namoro é Lua Nova
Dizendo de amor três frases

Se o namoro continua
Muda a fase de repente
Já não é a Lua Nova
É amor em Quarto Crescente

Quando ele só nela pensa
E ela só por ele anseia
Já não é Quarto Crescente
É amor em Lua Cheia

Vem depois o casamento
Muda a fase num instante
Já não é a Lua Cheia
É amor em Quarto Minguante

E se as coisas se complicam
Vem o divórcio e afinal
Já não é Quarto Minguante
É amor em Eclipse Total
Já não é Quarto Minguante
Ai, é amor no Tribunal.


O Sr. Manuel Marques Arroz visitou este blog e deixou-me algo escrito que tem a ver com "estas" Fases da Lua, facto que agradeço. Achei interessante e vou colocar aqui.

Informação complementar

A melodia, de autor desconhecido, assenta na tipologia do fado corrido. Terá esta melodia alguma relação com o nome de Reynaldo Varela, autor que ainda na primeira década do século XX gravou “Fado Tribunal”? António Menano interpreta este fado em compasso binário e tom de Si Maior.
A melodia andava em voga nos meios académicos antes de 1925 e intitular-se-ia originalmente “Fases da Lua”. A letra aqui transcrita em primeiro lugar, corresponde à versão cantada por António Menano e consta da respectiva edição musical da Sassetti & Cª ., Rua do Carmo, 56, Lisboa, com capa de Stuart de Carvalhais. Não tem qualquer indicação de data e o exemplar de que dispomos foi vendido por Januário Nunes & Cª., da Rua dos Retroseiros, 108-110, em Lisboa, por 1927. Posteriormente, o professor de música João Victória editou uma este fado em partitura para violino e bandolim, com o título de “Fases do Amor e da Lua”.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pobres dos pobres

Ontem chegaram até mim duas noticias que me deixaram a meditar. Elas já não eram muito novas porque já muitos antes de mim as tinham visto. Eu é que só as vi ontem mas ainda a tempo de manifestar a minha indignação.
E um dos casos que apareceu ilustrado com a foto que também retirei para a colocar aqui, é extraordinariamente triste, proibitivo de acontecer nos dias d´hoje, junto de nós, porque é de portugueses que se trata:
-Uma senhora idosa e doente é conduzida pelo companheiro, deitada num carro de mão até ao local onde vai receber o dinheiro da reforma.
Mas em que mundo estamos nós?
Mas em que século estamos?
Mas será que na cidade de Elvas não há bombeiros, não há nenhuma estrutura que apoie quem disso careça? E não há ninguém que tenha um carro, um calhambeque uma coisa fechada onde acomodásse dignamente a senhora, poupando-nos a este espectáculo triste e gratuito a que estamos a assistir?

Leva idosa aos CTT em carrinho de mão

Quanto à segunda notícia:
-É sempre com satisfação que tomamos conhecimento de factos positivos, nomeadamente de pessoas a quem a vida sorri a quem os negócios correm bem e vivem desafogados.É que a felicidade dos outros também nos contagia.
Porém será preciso ter muito, muito dinheiro? A felicidade é isso?
Vem ao caso o facto de ler a noticia e ficar a pensar no exagero, e vou sitar:-
Que o Padre Milícias se reformou, e passou a auferir sete mil e tal euros mensais correspondente à reforma.
Mas um Franciscano aceita e sente-se bem ao receber tanto dinheiro? Segundo já li, ele tem direito a isso em virtude dos cargos que ocupou. Certo! Mas um Franciscano não faz voto de pobreza?

Eu entendo que a pobreza não é uma situação cómoda, e nem aplaudo que alguém a ela seja forçado. Mas para viver com conforto e dignidade, não são precisos tantos euros!!!!!!

Será que o Padre Milícias secretamente usa esses valores para minorar as desgraças de tanta gente que sofre?
E se assim for, eu me confesso pecadora por ter julgado mal, e peço perdão.  

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Simplicidade


Para lá do portão um amplo salão dum restaurante.
Cá fora uns bancos rústicos esperam aqueles que levam cesto aviado porque preferem merendar ao ar livre e respirar o aroma inconfundível do pinheiro e do eucalipto, oferta da Natureza.

sábado, 15 de abril de 2017

Na festa da ressurreição

Caras amigas e amigos que ao longo de vários anos passam por aqui e me deixam simpatia nas palavras que me escrevem. Quero desejar para vós e, para toda a gente mesmo até quem eu não conheço mas que existe, um tempo de Páscoa vivido em alegria e bem estar.
Deixo vos um sorriso e um abraço e também flores, não apenas um ramo mas uma árvore com mais de um milhar delas e, uma poesia cheia de ternura.

_Que fazes tu aí ó Cristo antigo
Pregado nessa cruz,eternamente?
Liberta a tua mão omnipotente,
Desprega esses teus pés...e vem comigo!

Não sabes que sem ti nada consigo?
Não vês que fazes falta a tanta gente?
Oh! Vem de novo,como antigamente!
Viver connosco e nós, contigo!

Não vens? Não queres ouvir a humilde prece
Num mundo que, sem ti, desaparece,
Vencido pela morte e pela dôr ?

Não vens? Não pode a cruz ficar sózinha?
Pois bem: permite então que seja minha!
_Eu fico nela... e desce tu, Senhor!


(Dr.Abel Varzim)

terça-feira, 14 de março de 2017

A quem por aqui passar

Caros visitantes
Quero apresentar-vos desculpas pelo meu sucessivo silêncio.
O azar parece estar a simpatizar comigo e de vez em quando instála-se e atrapalha a minha disposição. Primeiro foi o meu marido a adoecer. Depois, decerto por simpatia ele dividiu comigo "a bichêza" e cá estou eu a sofrer e a aguardar que o antibiótico e afins façam efeito.O médico sabe porque é médico e nem valoriza, mas eu também sei porque estou a sentir. E a sentir a valer.

Várias vezes leio esta poesia, e sempre encontro nela uma beleza renovada.
Vou colocá-la e, com um beijinho oferecê-la a quem por aqui passar.

A Poesia é Silêncio

Não pares na palavra.Deixa o vento
Levar para as distâncias infinitas
O som de terra que te sai disperso.

Não prendas,com a fala,o pensamento.
És maior sobre o mundo,se não gritas
E deixas no silêncio o melhor verso.

Dor que se diz é dor desperdiçada.
Quando conversas,perdes-te no ar.
Ensina-te o Deserto coisas puras.

É mais bela uma lágrima calada
Do que todos os cânticos do mar
E todas as orquestras das alturas.

No silêncio é que Deus acende a luz
Mais fácil para entrar dentro de nós.
O silêncio tem graças de tesoiro.

Ama o silêncio em ti,como Jesus.
A prece das angústias não tem voz,
Mas o Senhor no céu a grava em oiro.

Benditos sejam os que a língua domem!
Dize-me tu se calas o que sentes,
Eu te direi se vales o que dizes...

A própria natureza avisa o homem:
- A flor vem do silêncio das sementes;
O fruto,do silêncio das raízes.

Faz com Deus,e contigo em oração,
Séria promessa,bem jurada e calma,
Como um profeta há séculos faria.

Escrever é violar a solidão.
Não escrevas. Poeta,cala a alma,
Não mates o silêncio da poesia !


(Assim escreveu,
Padre Moreira das Neves)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Confúcio escreveu



Também estou de acordo com a afirmação do célebre filósofo chinês.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Adeus amigo

Caras amigas e amigos visitantes

Tenho de vos contar que estou triste. Perdi um amigo que nunca vi, mas de quem recebi e dei estima, desde que iniciei o Renda de Birras já lá vão oito anos. Era uma pessoa fascinante que prendia pelo seu saber, sua ponderação, simpatia, suas palavras sempre certas no momento certo.
O seu sofrimento chegou hoje ao fim, partiu, não virá mais, e, tenho pena.
Se o céu existe, que seja lá o lugar do Zito.
O seu blog chama-se Arrozcatum cujo nome tem a ver com São Vicente em Cabo Verde, local onde viveu grande parte da sua vida e do qual nunca se esqueceu. Actualmente vivia em Monte Abraão, Queluz.

A minha foto

Há seis anos e hoje


domingo, 14 de agosto de 2011

Não existem só regras...Há também excepções!

Hoje volto à poesia. Apenas um soneto que guardo há muitos anos,é um pequeno recorte de jornal.Presumo que seja do Jornal Républica,actualmente desaparecido infelizmente, e penso assim porque a autora foi redactora deste Jornal entre 1942 e 1945. O meu pai recebia o Républica entregue por correio diariamente, e foi ele que me levou o papelinho,acrescentando que o soneto era muito bonito.Os anos passaram, mas não danificaram este mimo,que aconchegado nas páginas dum livro de poesia de vários autores, esperava pela minha visita.É da autoria de Manuela de Azevedo, a primeira mulher jornalista em Portugal.Escreveu poesia,conto,ensaio,foi uma lutadora contra o antigo regime,e uma incansável estudiosa relativamente à biografia de Luis de Camões,e à reconstrução da casa (à altura em ruínas) que se situa na Vila de Constância, e que teria sido propriedade da família do grande Poeta.
Ao folhear uma revista,fiquei a saber que no dia 31 de Agosto próximo, somam 100 anos sobre a data do nascimento em Lisboa,desta senhora que eu muito admiro, mas tenho de me penitenciar pelo facto de não saber se ainda está entre nós. De qualquer modo,os grandes vultos são eternos, porque jamais esquecidos.

Excepções

Entre o ouro da lei, há falsidade;
E entre as estrelas de maior grandeza
Há vultos sem fulgôr e sem beleza,
Como, até nas mentiras, há verdade!...

Entre as brumas da noite, há claridade,
Como surge, no riso, a subtileza
De uma lágrima cheia de tristeza
E, na bonança,surge a tempestade...

No antro do pecado, há criminosos
E há, na virtude, um vício insatisfeito
Como, em deserto, há bosques milagrosos...


E como em toda a regra há excepções,
Entre os homens há feras de respeito
E, entre as feras, há grandes corações!

( Manuela de Azevedo)

Caros visitantes, no próximo mês de Agosto somam seis anos que coloquei no blog este pequeno apontamento relativo a uma grande Mulher Portuguesa, a Jornalista Manuela de Azevedo.
Pouco depois tentei comunicar com ela, enviar-lhe uma simples carta a contar-lhe deste modesto post. Pessoa sensível como eu adivinhava que ela seria, por certo que o seu rosto se iluminaria com um sorriso ao constatar que o seu soneto tinha sido guardado durante tantos anos, depois de recortado dum jornal. Mas desconhecia o seu endereço. Até que um dia a revista do Jornal Correio da Manhã publicou uma mini reportagem acerca da sua vida e obra. Entusiasmada escrevi um email dirigido à jornalista que assinava esse trabalho. Pedia-lhe o endereço da Senhora que ela havia entrevistado, ou então se ela própria lhe poderia fazer chegar às mãos a minha pequena carta, que sendo sim, lhe enviaria prontamente. Expliquei-lhe a razão e o conteúdo da mesma. E fiquei à espera, indefinidamente.... A Jornalista nada me respondeu. - " Estava ela para se ralar com esta provinciana das dúzias que ela certamente deduziu que eu seria ?! " E a história acabou aqui.

Ontem na internet veio a noticia do seu falecimento, aconteceu aos 105 anos (dizia) neste passado dia 10 de Fevereiro. Uma foto ilustrava a noticia - Manuela de Azevedo muito velhinha segurava nas mãos o seu Diploma de Jornalista que recebera ainda jovem. Foi a primeira Jornalista Portuguesa a ter esse direito.

Mais um valor português que desaparece. É a lei da vida mas, uma vida que termina deixa sempre um vazio. Porém as obras ficarão para a posteridade.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Lenda do Pintarrôxo

A minha amiga Anita que vive na Ilha da Madeira, aquela senhora que gosta de receber correio porque vive sózinha, e a quem eu escrevo ás vezes e noutras telefono, não se cruzou com a felicidade, sempre caminharam por caminhos opostos, e assim o tempo passou por ambas, e elas sempre distantes. Tinha e tem sonhos como todos nós, mas parece que se ficam por aí sonhos apenas. Nem de saúde que é um bem próprio ela usufrui. Há pessoas assim que parecem destinadas a prescindir, sem que elas o desejem. Porém não se manifesta desesperada, por vezes lá vem um pequeno lamento mas pouco consistente, ela está por tudo com boa vontade. É cristã e possivelmente a fé lhe dará a força necessária.Tem a fé que a mim me falta, eu nem sei se já lho confessei, mas em todas as cartas que me envia, sempre junta umas pagelas com orações.Com os bolinhos que recebi na passada semana, vinha a cartinha que não fujiu à regra em relação ás orações, mas desta vez trazia também uma folha que ela tirou dum livro, e nesta uma Lenda cheia de ternura que logo decidi aqui colocar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Bronze

Resultado de imagem para bodas de bronze
Chegámos aos 51 anos de matrimónio. Isto é um facto que começa a estar em risco de extinção. Por isso é que eu a partir das Bodas de Granito venho sempre aqui "puxar dos meus galões"!
E colocar mais umas fotos. E ao olhar para elas pergunto a mim própria:- mas estes noivos somos nós?
- Éramos, em 1966.


Na Costa Nova

Caros amigos, eu aconselho e não cobro pela consulta : - vão passear por esta zona, e acreditem que no regresso vão constatar que foi agradável. Ah, e quanto a gastronomia nada de negativo a apontar, boa qualidade e preço justo.




terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O Farol sentinela firme desde 1893

As previsões apontavam para muito frio a partir deste último Domingo, mas na verdade nos locais por onde andámos ontem segunda feira, a temperatura era normal para o Mês de Janeiro e só para a tardinha o frio se fez sentir.


Na Praia da Barra a dois passos da Costa Nova o imponente Farol de Aveiro, o mais alto de Portugal com 66 metros de altura. Pode ser apreciado o panorama ao seu redor e longínquo, subindo os 228 degraus que detém no seu interior.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O Livro Grande




Seriam umas dez horas da manhã. O sol algarvio brilhava forte sobre o mar azul na praia de Armação  de Pêra. Sobranceiro à arriba um varandim metálico  em toda a extensão do jardim actua como miradouro daquele mar grande e lindo. Eu também fui até lá. Antes porém pousei os meus pertences num banco ali ao lado onde um casal de jovens ingleses conversavam animados. Em baixo um barco aproximou-se da praia, ouviu-se a campainha a avisar do passeio ás grutas, e alguns banhistas na água funda subiram aos baldões para aquela casca de nóz que baloiçava a valer elevada pela rebentação. Ouviam-se pequenos gritos terminados em rizadas e após todos estarem acomodados, o responsável ligou o motor e o barco estabilizou, e de seguida em boa velocidade e direitinho seguiu seu rumo. Desviei o olhar para terra e reparei que uma senhora já idosa se encaminhava para o banco. Aproximei-me de imediato para libertar o espaço ocupado pelas minhas coisas para que ela se pudesse sentar. A senhora ainda me perguntou se eu queria o lugar no banco, respondi que não que ficásse á vontade, e sobraçando o que era meu voltei para o varandim. Mas daí a pouco o casal inglês levantou-se e foram embora. Então caminhei em direção à senhora  que sentada me olhava, e sorrindo como é meu hábito disse-lhe em ar de brincadeira: - agora já quero o banco! - E sentei-me ao seu lado.
Ela retribuiu-me o sorriso ao mesmo tempo que me dizia:
- Mas que grande livro!!!
- Animada respondi: - é verdade, é gordinho! Tem 550 páginas.
Sabe, foi a prenda da minha filha pelo meu aniversário na passada semana. Ela até me disse que era mesmo bom para os dias de férias, porque tinha muito para eu ler.
E continuei:
- Eu gosto muito de ler, e gosto deste escritor, tenho vários livros dele.
É o Ken Follett.
Também conhece?
Um misto de asco e repulsa transpareceu na sua voz ao responder-me:  
-  Eu não! Não conheço!
- Não gosto de livros nem de escritores!
- Só gosto de jornais e revistas porque dizem coisas verdades.
Agora os escritores?! É tudo a fingir. Só dizem mentiras!
Fez uma breve pausa para logo continuar:
- Mentirosos, inventam inventam, e ganham a vida assim. Ah, mas comigo não!
Eu aturdida não respondi nada, ela julgava-se tão certa, infelizmente para ela.
Depois, ainda pensei argumentar, tentar despertá-la mas preferi mudar de assunto e falar do clima agradável característico daquela província algarvia, e aí sim, as minhas palavras encontraram eco, da parte daquela senhora que não gostava de escritores. Pouco depois ela olhou o relógio e levantou-se, despediu-se de mim com simpatia e caminhando devagar atravessou o jardim em direção à avenida. Eu continuei ali e  por momentos não pude deixar de sentir uma certa pena, por aquela senhora não conseguir ver a beleza que os livros encerram e a leitura transmite. Mas a cada qual seus gostos e opções.
E a minha foi abrir o livro, e alheia a tudo ao meu redor embrenhar-me na leitura que tinha iniciado na véspera e me havia deliciado.
Quando me levantei para regressar lembrei-me de novo da senhora, mas para formular este meu voto sincero: - Que aos escritores não lhes falte nunca a imaginação, para que, com a sua arte continuem "a mentir-nos" se possível eternamente!

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Prendas simples, mas ricas

Actualmente as datas festivas não me trazem alegria. Não as detesto, de modo nenhum; e até costumo integrar-me, e sem alaridos apreciar o convivio familiar e desejar que o mesmo se repita por muitos e bons anos.
E como nesta quadra os adultos também recebem prendas, também as houve para mim. Todas da minha preferência, doces para equilibrar a minha tendência para o azêdo do qual começo a estar cativa. A minha amiga madeirense que nunca me viu mas que me estima muito, mandou-me o tradicional bolo da Madeira e biscoitos exclusivos da Ilha. Das minhas filhas, neto e marido as bolachas com sementes e passinhas, e claro os chocolates que seria digno de censura o esquecimento de tal mimo tão da minha preferência.
E imperdoável seria não aparecer um livro. Eu nem por um minuto duvidei, tenho sempre a certeza. E quem espera sempre alcança. Aqui está a  foto da respectiva roupagem do Alçapão. Do conteúdo, depois de ler eu prometo contar-vos.

Rosas do Ano Novo

Lindas, mesmo maravilhosas, o primeiro presente de Ano Novo que recebi.

​ Rosas de Toucar - Rosa Centifólia Fonte da imagem: http://www.vestnik-cvetovoda.ru/photo/ .

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2017 está a chegar

Mesmo sentindo pouco interesse na comemoração do Ano-Novo, não sou alheia a uma vaga expectativa de que alguma melhoria avance neste 2017 para beneficio de todos em geral. Ultimamente temos sido informados de tantas desgraças acontecidas, que não raro nos perguntamos: - mas para onde caminha este mundo?! Claro que este mundo somos todos nós que habitamos na Terra. E é de vários pontos do globo que nos chegam tantas noticias trágicas e penosas. Mas nós não as queremos mais. Elas nos incomodam e por isso inventámos a palavra basta! Queremos que o mundo melhore, o mundo são as pessoas, e na nossa alienação afirmamos para nós próprios que sim, que vai melhorar, exactamente porque já basta de tantos males. E porque queremos ouvir, dizemos de viva voz: - os altos responsáveis pelos países maiores ou menores de todo o mundo, já aprenderam muito com os azares que sofreram e que ficaram para trás. E no limiar de 2017 ainda envolvidos pela ternura do espirito Natalício que torna os humanos mais bondosos, vão esforçar-se  por esconjurar as péssimas decisões, e caprichar a favor do correcto, do certo, do fraterno. E assim o Novo Ano será mesmo rotulado de Bom Ano! Estou a sonhar, um sonho lindo, não quero acordar...
Na verdade o facto de ser Bom Ano ou Mau Ano não é da responsabilidade do dito cujo.  É certo que por vezes o planeta se enfurece e mostra a sua força deixando rastos de destruição e morte, e aí o homem é ultrapassado e reduzido à sua pequenez perante a grandiosidade ilimitada do Universo. Mas são os homens, especialmente aqueles que comandam os destinos dos povos, os maiores destruidores. Ainda não criaram capacidade suficiente para se entenderem, e após teimas em que cada um quer fazer valer a sua vontade, vão para a guerra. Vão, não!   Mandam os mais novos, enquanto eles de farda limpa, ficam a consultar os mapas. E decretam todo o tipo de guerras e com elas o conhecido cortejo de sofrimento desolação e morte.
Naquelas guerras com metralha à vista vão ao ponto de a interromper só por um dia, no dia de Natal, e no dia seguinte recomeça o morticínio. Que estupidês! Perdoem mas não me ocorre outro significado. E outros modos de guerra são escolhidos actualmente, em que uma só pessoa geralmente um jovem, é suficiente para matar dezenas de incautos cidadãos, fazendo-se explodir em local pré escolhido, de preferência onde haja numero considerável de pessoas. E passadas horas os mandantes comunicam a dar conta da proeza que fizeram. Por enquanto isto acontece longe de nós, mas até quando?!
Que tristeza em que se vive actualmente sem amor a nada, nem a ninguém. E nós continuamos a gritar basta! Basta! Mas ninguém ouve ninguém.
E aquela guerra silenciosa que afecta as florestas, as águas dos ribeiros, os mares, os rios, as plantas, os animais da selva e as aves do céu, e até o ar que se respira?!
E a guerra do lucro?! Essa é também pavorosa porque corrói a vergonha e a honra.
Aos cristãos com fé, eu peço as vossas orações ao Ente Supremo para que ilumine a mente dos responsáveis pela vida dos povos. Para que não se limitem ao superficial das saudações habituais nesta época, que são lindas e agradáveis de ouvir, mas demasiado gastas de tão repetidas e ao comodismo de deixarem aos doze meses que compõem o ano o livre arbítrio de ser Bom ou Mau, ou a esperança de que o Novo Ano seja melhor, só porque a maioria o deseja.
Muito mais se torna necessário para que de 2017, possamos esperar que seja na verdade um Ano-Bom.


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O Menino Jesus

Caras amigas, amigos e visitantes que passam por este meu espaço, agradeço a vossa preferência e apresento desculpas pelo meu silêncio um tanto fora do habitual. Razões para tal ausência? Não existem, apenas alguma dose de preguiça seguida do inevitável adiamento. Hoje também ainda nada escrevo, mas passei no blog da minha amiga Viviana e roubei-lhe um lindo trabalho de poesia. Tão bonito que não me perdoaria se não o colocásse aqui também para vós.

Natal de Quem?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do perú, das rabanadas.
-Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
-Está bem, eu sei!
-E as garrafas de vinho?
-Já vão a caminho!
-Oh mãe, estou pra ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
-Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:

-Então e Eu,
Toda a gente me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:

-Então e Eu,
Toda a gente me esqueceu?

Rasgam-se os embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis

E Cristo Menino
A fazer beicinho:

-Então e Eu,
Toda a gente me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar

E o menino quase a chorar:

Então e Eu,
Toda a gente me esqueceu?
Foi a festa do meu Natal
E, do principio ao fim,
Quem se lembrou de mim?
Não tive teto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:

Foi este o Natal de Jesus?!!!


(João Coelho Santos - Em - Lágrima do Mar - 1996)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A rosa da Viviana



Manhã cedinho abri o computador e encontrei uma prenda para mim. "Um abraço e esta rosa"
Agradou-me a beleza da flor e a ternura da dedicatória.
Fiquei tão contente com a bonita atitude da Viviana que decidi contar-vos; é que este facto deixou-me alegre por largas horas.
Depois descobri um problema: a fotografia desaparecia e deixava de ser visível no meu e em outros computadores assim que fechava a sessão. Nem a minha filha percebeu porquê mas deu-lhe um outro nome e tamanho e agora parece que finalmente pode ser admirada por todos!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Portinho da Gala


 Assim carinhosamente lhe chamam os pescadores da Gala. Hoje Vila de São Pedro, só o Rio a separa da Figueira da Foz.
 A quietude da água mais parece um pedaço de espelho,
e o céu azul, uma maravilha - quem dirá que era outono?!

domingo, 23 de outubro de 2016

As Salinas de Rio Maior

 Salinas? Aqui perto? Mas o mar está a 30 kilómetros ?! Bem o melhor é irmos ver.
 Com uma estátua na rotunda representando o Salineiro com o rôdo a apanhar o sal, não havia que duvidar. Mas sim ir em frente...
 Palavras para quê? As letras gravadas na madeira dizem tudo...

O pôço e as picotas

 O pôço de onde é bombeada a água salgada. Tem nove metros de profundidade e perto de quatro de diâmetro. A escada e cordas sempre presentes para socorro, ou mesmo para que o acidentado possa sair por seus próprios meios.
O mesmo pôço mas na estação invernosa quase sem sal no muro à superfície.
As marinhas e as duas picotas que actualmente apenas figuram junto ao pôço como recordação do tempo em que mão humana as moviam para tirar a água a balde.  

Aonde reina o sal

 A brancura do sal no tabuleiro e nas salinas em contráste com a paisagem e o chão escuro de terra sêca.
O Pórtico de entrada para o restaurante SALÁRIUM - e o sal como referência. Estrutura de pedra e madeira.
O restaurante SALÁRIUM frente à brancura das  salinas. Em plano mais elevado a serra.

As casas escurecidas pelo tempo


Os pequenos armazéns doutrora - onde cada salineiro guardava o seu precioso sal. Construções totalmente em madeira, até as fechaduras das portas. Alguns troncos de oliveira não aparelhados também eram matéria prima utilizada.
  Estas casinhas devidamente conservadas guardam ainda toda a rusticidade de outrora, e  são na sua maioria lojinhas de venda de artezanato e recordações.
O sal para venda aos visitantes, em embalagens herméticas normais, ou em forma de queijinhos, embrulhado de forma graciosa, com salofane de côr e laços brancos.


Caras amigas e amigos que costumam vir até ao meu Birras, desta vez eu não contei nenhuma estória,e as Salinas bem o mereciam, mas, chegou-me a preguiça... desculpem. Contudo, permitam-me uma sugestão - Visitem o Blog, Cidadania RM-RioMaior, e lá encontram em pormenor toda a história deste Milagre da Natureza que são as Salinas da Fonte da Bica.

( Quero agradecer ao autor desse Blog a foto do pôço no inverno e esta com os pacotes de sal, ambas da sua autoria.)
Quanto a todas as outras são minhas como é habitual.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Em Armação de Pêra


 Há bastante areal para estender a toalha, porque o  mês é Setembro.
 Um espaço concessionado, como tal, reservado só para alguns.(mas bonito)
Mais concessões, encurtando o espaço de que os menos endinheirados usufruem.

Era Setembro mas parecia Verão

 O mar mais azul do que o céu,e o contraste do verde da palmeira
 A imprevidência como que a desafiar o perigo sempre eminente
Nos locais com perigo os sinais estão lá, e bem visíveis